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11.11.08

Notória especialidade : eles sabem dançar ?




O Governo do Estado vai transformar nossa antiga Rodoviária , ali na av. Duque de Caxias, no Teatro de Danças. Um projeto com mesmo fôlego e importância dos seus significativos vizinhos : a primeiro-mundista Sala São Paulo, o restauro do antigo prédio do DOPS, que hoje abriga a Estação Pinacoteca, o da própria Pinacoteca e o da Estação da Luz. Integrando-se a recuperação urbana da Crackolândia, corremos o risco de ter pelo menos mais uma parte da cidade com uma continuidade de aspecto civilizado.


Acho que ninguém discute a obra. A questão que provoca discussões é que o Governo optou pela solução de importar projeto. E sua contratação direta foi baseada no critério legalmente aceito pela legislação da " notória especialidade ".

Foi feita uma "concorrência informal", seja lá o isso signifique, entre quatro escritórios internacionais com portfólios* de grosso calibre ( calibre suficiente para detonar com seus projetos qualquer orçamento mal feito ) : o suiço Herzog&Meron, o inglês Foster+Partners ( de Richard Rogers), o argentino-americano Pelli Architects ( de Cesar Pelli ) e o holandês OMA ( do badalado Ken Koolhaas ).

Foi escolhido o escritório Herzog&Meron, que foi o responsável pelo projeto do Ninho de Pássaros, o Estádio Olímpico de Pequim.
Todos eles são autores de grandes e espetaculares projetos, e essa escolha está ligada ao fato que esses projetos criam importantes resultados midiáticos para as cidades onde estão. Vide, por ex., o não tão recente Centro George Pompidou , projeto de Renzo Piano e Richard Rogers, em Paris e o Museu Guggenhein de Bilbao, projeto de Frank Ghery.

É uma evolução interessante essa da escolha, enfim projetos significativos não serão pura e simplesmente entregues a Oscar Niemeyer, a Paulo Mendes da Rocha, a Ruy Ohtake ou a outro de nosso midiáticos profissionais. Nada contra o conjunto da obra de qualquer um deles,já trabalhei com o Ruy, sei o quanto é difícil projetar, não costumo destilar minhas invejas e ódios contra os colegas. Desde que não venham com neo-clássicos e outras baboseiras do tipo. Mas acho que já deixaram suficientes registros de suas idéias no horizonte de nossas cidades .

Foi uma importante oportunidade perdida para prestigiar a combativa ( combativa ? Ok, pero no mucho. Ou melhor, pouquíssimo) classe dos arquitetos tupiniquins, via a promoção de um concurso de alto-nível. O efeito midiático seria tranquilamente conseguido colocando-se no edital um ítem : " meninos, podem soltar a mão, sejam moderninhos, que nós bancamos ".

Vão bancar mesmo, com verba pré-estimada de R$ 300 milhões para 19.000m2, um orçamento prévio ( pode colocar por baixo uns 25% a mais na conta final , dependo do que vier) para arquiteto nenhum botar defeito. E com decentes honorários destinados ao projeto, valor que suponho para todos os projetos necessários, entre R$ 16 e 26 milhões. Pelo menos que esses honorários sirvam de exemplo para nossa operosa categoria de investidores e construtores, que insistiriam em pagar percentualmente menos que um terço disso e achando que estariam fazendo um grande favor aos profissionais envolvidos.

Quanto à questão da dita " notória especialidade ", Rino Levi, um dos nossos mais importantes arquitetos, uma vez comentou que, em projetos de Arquitetura, "a distância que separa, um ( bom ) especialista de um ( bom ) não-especialista, são exatamente 2 meses". Coloquei a palavrinha " bom" na sua frase, pois ela é fundamental para a afirmação ser verdadadeira, o "bom" deve ser entendido como qualidade técnica-criativa e experiência acumulada no negócio . Com honorários decentes, que permitam ir conhecer in-loco projetos semelhantes, constituir uma equipe eficiente, fazer as pesquisas necessárias à respeito do objeto de projeto e com as consultorias certas ( tudo o que não conseguimos mais ter pelo achatamento de honorários ) um "bom" ( vide ressalva anterior ) profissonal daqui resolveria com sucesso a questão.
Enfim, não é preciso ser um expert em bailados e rodopios para fazer um Teatro de Danças.

PS
1. Nós já invadimos a praia deles : Niemeyer é um dos arquitetos que mais tem obras espalhadas pelo mundo. PM da Rocha, após receber o prêmio Pritzker, específico de Arquitetura e um importante reconhecimento mundial, já está com vários projetos em realização na Europa.
É tão ruim assim eles invadirem a nossa ?


* PS Promocional :
Por falar em portfólios, e já que o assunto é Arquitetura, ali na coluna lateral, finalmente entrou no ar o link da misteriosa entidade mantenedora das Org. P.S.C.

Clique, conheça e podem nos indicar, sem receios, a seus amigos e conhecidos, quer sejam investidores, incorporadores, construtores e etc ( na atual situação, de preferência para aqueles não tenham investido em fundos hedge, derivativos ou ações ).


50 comentários:

Eduardo P.L disse...

Peri,

assunto sério, e vai dar pano para a manga! ( Quem inventou essa expressão?)
Vou lá ao lado visitar o ESCRITÓRIO do ARQUITETO!

Marcio Gaspar disse...

juro que não queria voltar a esse assunto, mas a bola foi levantada na área... e tenho que entrar chutando. quem iniciou esse processo de recuperação do centrão (sala saopaulo, pinacoteca, estaçao da luz) foi a marta suplicy, tudo com arquitetos nacionais e licitações claras (nada foi contestado na justiça). agora, depois do prefeito (re-eleito) e seu carametade andrea matarazzo terem dito que a cracolandia acabaria em um ano (e tudo continua igual), vem o serra vampiro e arma esse circo suspeito, com claras intençoes de criar um fato midiatico para sustentar sua obsessão pela presidencia. a 'nova' direita sabe bem como fazer isso.

peri s.c. disse...

Eduardo
Ótimo assunto, post difícil de ser escrito, para tentar sintetizar todas as vertentes que tem esse assunto. Esse é um daqueles que eu ficaria complementando por uma semana.

Vá lá visitar e depois faça seus comentários.

disse...

Peri, ontem mesmo E.Longo e eu estávamos falando sobre isto...
Eduardo admira muito as obras de Herzog&Meron e sem dúvida muito de prestígio agrega a esta cidade...mas não querendo ser bairrista,e já o sendo,pena um de nossos grandes arquitetos não terem esta oportunidade... verba não faltaria...o que é raro e criatividade e competência... sobra.Por mais registros que já tenham deixado coisas ótimas podem surgir "com liberdade e dinheiro"
e sem dúvida novos talento aí estão...Grande oportunidade se perde como bem vc coloca...mas parece que ainda sofremos do velho "jargão" o que vem de fora "é sempre melhor..." Sic...!

Fernando Zanforlin disse...

Peri, não sei quantas escolas de arquitetura há no país, com certeza mais de 100 e foi citado o nome de só 3 arquitetos, a cidade de São Paulo é maior que esses 3.
Vejo com bons olhos a contratação de outros.
Um projeto dessa escala, claro que informacões vazam, porque nossa classe não se manifestou em tempo.
É uma modorra esse negócio de prestigiar o de casa, me cheira igual a reserva de mercado da informática, ficamos para traz.
Não quero saber se foi o PT, DKW,PSDB, FNM UVKFO, vamos fazendo, quem não faz senta na janela.

peri s.c. disse...

Marcio
Obrigado por falar da Mme. Favre, assim você nos remete ao grande político paulista que tivemos, o Mario Covas, o primeiro que olhou e atuou no Centro.
Tudo isso que você citou aí são edifícios e órgãos do .... Estado de São Paulo e não da Prefeitura.
Obras de restauro geridas exclusivamente pelo Estado de São Paulo.
A Sala São Paulo abriga a Sinfônica do Estado, no estadual prédio da Estação Júlio Prestes. A Pinacoteca é do Estado. A Estação da Luz e o Museu da Língua Portuguesa, do Estado. O prédio do DOPS, do Estado. E foi o Covas que iniciou todo esse processo.
E o órgão que primeiro falou, batalhou e continua muito ativo na luta pela recuperação do Centro da cidade,o "Viva o Centro", foi criado 18 anos atrás por um, veja só, tucano. O atual presidente do Banco Central, o Henrique Meirelles.
Mme Favre, se não me falha a memória só reformou o Mercadão, obra enroscada que deve ter levado uns quatro anos. E não conseguiu nem restaurar ( projeto feito ) ou demolir o Ed.São Vito .

Fernando Zanforlin disse...

Aliás não é UVKFO é UPKFO.
Ƨs.

Marcio Gaspar disse...

o covas? ah sei... o covas, se vivo estivesse, jamais estaria de braços dados com o serra e o PFL, tenho certeza. e coraria de vergonha ao ver seu filho, o zuzinha, com os bens bloqueados por conta de negociatas com a empresa de segurança na época do governo... de quem mesmo? ah é, do próprio pai.

peri s.c. disse...

Vi
Também admiro o trabalho deles, particularmente o Rogers e o Herzog&Meron.
Acho que temos ótimos arquitetos, o Eduardo Longo entre eles, que se tivessem a oportunidade de encarar uma verba dessas pela frente, fariam algo tão significativa quanto nossos colegas internacionais. Questão de oportunidade.

peri s.c. disse...

Fernando
Pois é, sempre os 3 mesmos ( sorte deles, tiveram a habilidade de chegar lá, mas isso é o que incomoda.
Um concursinho de vez em quando não faz mal a ninguém. Já participei de vários, internacionais inclusive, com o Roberto Loeb. É uma ótima experiência e suscita interessantes discussões, sobre partidos e soluções volumétricas. Temos qualidade, por ex, participei do concurso internacional para a construção da Biblioteca de Alexandria, um projeto muito grande. E quando você vê a composição das equipes dos que tradicionalmente estão entre os premiados, temos a noção que somos quase que uns guerrilheiros, uns artesãos.
Não fomos premiados nesse. Mas o terceiro colocado foi um escritório pequeno de Belo Horizonte.

o que é UPKFO ?

peri s.c. disse...

Marcio
Não, não estaria.Falta hoje um certo carater em nossa política. Vide no que virou o PT.

E quanto à sua fixação na "nova direita", fiquei enternecido com os afagos quase eróticos que seu lider trocou ontem com aquele político progressista e socialista italiano, o Sr. Berlusconi. Será que depois de apenas 12 horas longe do Brasil, Lula " Marolinha" já estava com saudades dos Sarneys, Barbalhos, Calheiros e etc?

peri s.c. disse...

Fernando
Complementando : também não sou contra a contratação de estrangeiros.
aliás é uma excelente oportunidade de jogar um pouco de lenha na bruxoleante fogueira de nossa Arquitetura

Fernando Zanforlin disse...

U Partido Ki Fô, tudo é iguar, quimporta é o puder nar mão.
Peri, quem iria julgar?
Concurso é para misses, quem tem as medidas certas segundo o Manual de Julgamento de Misses.

peri s.c. disse...

Fernado
Que tal nós julgando ? Você, o Guga, o Fernando Cals, eu e o Alencastro, claro. Esqueci alguém relevante ?
E remunerados, claro .
( óbvio que nossas associações sempre presentes, tipo Asbea, Crea, Sindicato, etc, oportunistas iriam querer se meter no meio )

A questão do julgamento é a mesma da definição direta de contratação de quem vai fazer o projeto, num determinado momento alguém tem que escolher.
Mas concursos tem um viés sacana e perigoso : um bando de gente trabalhando quase alegremente de graça.
Como os "estudos de risco" que nos enfiam goela abaixo. Nunca vi ninguém , nem mesmo um empreendedor-investidor-construtor chegar num dentista e pedir uma " obturação de risco" para avaliar a qualidade do resultado.

Sou curioso e este não é um blog necessariamente inclinado à Arquitetura,se bem que sempre revelamos os "desvios" profissionais. Tentei no texto levantar algumas possibilidades para provocar e ouvir a moçada que não é do ramo. Afinal,a cidade é de todos nós.

Fernando Zanforlin disse...

Peri, eu não tenho capacidade para julgar nada para os outros. Só julgo para mim, o que penso ser bom eu quero e que penso ser mau nem olho.
O que é bom : Quanto custa ? Põe no porta mala. Obrigado.
Ƨs

peri s.c. disse...

Fernando
Perfeito, julgar é uma atividade complexa que hoje as pessoas praticam sem pudores. e, pior, sem base suficiente.
abraço

Eduardo P.L disse...

Eu não vou comentar, nem contra argumentar, por uma simples razão: moro em Imbituba, cidade onde só há um ou dois engenheiros, certamente nenhum ARQUITETO! Todos daqui são importados.....rsrsrs

Anônimo disse...

Peri:
Lendo seu compêndio e me atendo à resposta de Zanforlin,citando UPKFO, lembrei-me do UFO,museu criado no Rio de janeiro por nosso secular arquiteto.Do Ninho de Pássaro(Ninho de Andorinha),é feita uma sôpa,o mais sofisticado prato da culinária chinêsa e que é raro,além de delicioso e caro(eu provei as duas coisas),raro e caro pela aventura de buscá-los(os ninhos )em escarpas praticamente inacessíveis.
A Ópera de Sidney é um barco metálico à beira-mar.Enfim,a contemporânea arquitetura anda de mãos dadas com a cenografia,às vezes subliminar,às vezes quase direta.
Numa humilde tenativa de sintetizar as vertentes do assunto,e como diz a Vi,acima,...nossos grandes arquitetos não terem essa oportunidade..., Einstein descobriu que o tempo é uma unidade abstrata e só existe em relação com o espaço,as duas coisas não existem separadamente,só coexistem.Vale como metáfora.
A nova arquitetura nacional está acompanhando a mundial?
E tentando concluir ,
"Arquitecture is the spirit of the times strutured in space - nothing else." Mies van der Rohe.

Click...ôps..Voltei do transe erudito me lembrando de de "Saudosa Maloca",Deus dá o frio conforme o cobertor.

When does utopia become a vision?When the inconceivable is conceivable.

Carái véi.. Sem essa de transe...
...Fui.

Günther.

anna disse...

na ex berlin oriental existem vários projetos, restaurações e adaptações arquitetônicas de profissionais de todo mundo.

legal. simbólico. significativo.

no caso, creio que um arquiteto local seria melhor. primeiro porque temos vários ótimos, incluindo o patrocinador deste sítio, e também porque do centro e suas mazelas entendemos nós, brasileiros e melhor seria, paulistanos.

xenofobia?
não. praticidade.

peri s.c. disse...

Eduardo
Te cuida, um dia invadiremos sua oraia.

peri s.c. disse...

Günther

Arquitetura é a cenografia da vida.
( e pelo que se vê por aí, a vida da quase totalidade é bem, muito, esplendorosamente banal )

O Ninho de Pássaros, um monstruoso execício de delicadeza.

"Arquitecture is the spirit of the times strutured in space - nothing else." : nossas classes economicamente dominantes, e as emergentes, pelo que compram e usam para morar, estão de um a dois séculos atrasadas. Foda.

peri s.c. disse...

Anna
Um dia Tupã, deitado em sua rede lá do meio da floresta, olhará para a Urbe e intercederá. Aí SP será legal, simbólica, significativa, mergulhando em seu destino sempre à espreita.

Sei lá se é importante, masHerzog&Meron nunca comeram um churrasquinho grego na Quintino Bocayuva, nem um sanduiche de pernil ali no Estadão, nem um filé com alho no Moraes da Pça Julio de Mesquita, nunca tomaram um café no Maninho ali na D.José de Barros,um chopp no Bar do Leo, não entraram no sebo do Messias, não foram na Sta Efigênia sábado de manhã, etc, etc.
Se bem que de nosso estrelados, só o Paulinho deve conhecer tudo isso aí. Hoje arquitetos são quase todos "ZS".

hélio disse...

Peri,
não tenho nada contra um projeto gringo. Para mim é estimulante e acho que para a cidade também o é.
O que dói, é que os arquitetos brazucas estão numa draga que dá gosto. É aí que o bicho pega.

Desculpe Peri, mas concordo com o Marcio. o governo paulista quer tirar o dele da reta, não conseguindo administrar os egos dos três "únicos arquitetos que temos" (são as autoridades que os definem assim), a opção pelos gringos foi bem ao estilo "em cima do muro". hehehe.
Marta tirou muitos dos nossos arquitetos da lama em que estavam atolados, vc deve saber disso. Não acredito que numa gestão petista isso aconteceria. Ufanismo? Qual nada! Precisamos dar emprego digno aos nossos arquitetos, criar novas lideranças, "novos gênios", depois que isso acontecer, aí sim vamos ter condições de igualdade com a gringaiada. Para alguns o
Guggenhein é genial, para
parte da população é o "monstrengo de Bilbao".

Não somos (os arquitetos) deficiente em tecnologia e criatividade, somos deficientes
em oportunidades honestas.

Nossa classe, Peri, é desunida, muito pouco solidária, nada participativa nas decisões da cidade. Fazemos o que nos mandam fazer, somos venais, exploramos nossos jovens profissionais, não dando condições de trabalho a eles (como fizeram com a gente). Você sabe, muitos trabalham e só um recebe os louros. Para mim nossa classe é uma profunda decepção.

Não consigo acreditar nesse projetos infantis para revitalizar o centro. Emparedar portas, chamar a rede Globo, pintar um prédio aqui outro ali e dizer que está tudo resolvido, só pode ser brincadeira. Enquanto não houver um politico correto, para peitar o problema a sério, com inumeras demolições e ai sim novas construções, praças, escolas... tudo que for feito ali será caixa dois para campanha politica.

As vezes noto que são confundidos cargos, com afagos pessoais. Lula não afagou o facistóide italiano por prazer pessoal dele lula, é função do cargo, cê num acha Peri?

Patty Diphusa disse...

Como às vezes sou uma arquiteta frustrada, dói para mim o "notória especialidade". Eu teria vergonha de assinar um atestado desses que, no fundo, quer dizer que não temos talento, criatividade, conhecimento para algo desse tipo. O que, sabemos, não é verdade.
Fico imaginando o que aconteceria se o governo suíço promovesse um concurso desse tipo e sob a mesma alegação só convidasse arquitetos de fora. Difícil, não?
O resultado poderia ser o mesmo, mas dava para todos participarem, sentirem a febre do desenvolvimento desse tipo de projeto, fazerem parcerias e, inclusive, ajudar na percepção de novos talentos?


Bjs

peri s.c. disse...

Caro Helio

Vamos por partes :

1. É evidente que a escolha busca uma solução midiática. Não tenho nada contra, até gostei dos pré-selecionados e do escolhido.
E será benéfico para nós , permitirá que a cidade discuta um pouco Arquitetura, que comece a perceber um pouco a importância de bons projetos e comece a exigir por eles.
Já imaginou se o governo usasse os princípios que norteiam de nossos marqueteiros e construtores imobiliários? Não vou colocar aqui os nomes que me ocorreram e me causam calafrios, dos arquitetos/decoradores que seriam chamados para erigir o " Pallazzo della Opera e Danza ", uma provável cópia "melhorada' do Scala de Milão.

2. Quanto ao fato de vir de "fora", ah, ah, eu vim de "fora"! Talvez você, e acho que 90% da população da nossa querida ( e odiada ) Megalópole seja de "fora", todos nós temos ascendências que vieram de longe, fazer a vida aqui. Acho que é uma das maiores belezas desta maluca cidade.
A TV Cultura tem um excelente programa, a História dos Bairros, com documentários muito bem feitos. Ontem, por coincidência assisti e era sobre um pedaço dessa região aí, o Bom Retiro, direção do Klotzel com texto do Torero. Emocionante ver como a cidade vai se compondo, mesclando as sucessivas levas de imigrantes e suas culturas. Os ingleses e suas chácaras, os italianos, os judeus, os nordestinos, os coreanos, agora os bolivianos. O Corinthians nasceu no Bom Retiro!
Sai dessa dinâmica sutil o nosso lindo carater urbano,que infelizmente não sabemos bem valorizar.
Deveriam apresentar esse documentário para o Herzog&Meron, seria legal também um sobre os Campos Elísios.

3. É evidente que nossa classe está numa draga que dá dó, mas não é um projeto que vá resolver a questão. E a maior parcela de culpa é nossa mesmo. Uma das poucas categorias que não sabe nem lutar corporativamente em conjunto por honorários e condições de trabalho ( prazos, programas bem feitos, etc ) decentes. O valor de nosso trabalho é a única coisa que baixa de preço nesse país, ano após ano. Quando comecei, como estagiário, em 73, cobrava-se no mínimo 8% ! Saudável, não ?
Um arquiteto, num empreendimento de porte consegue hoje, quando consegue, 1% do valor estimado da obra e trabalha 6/8 meses no mínimo num projeto desses. O corretor imobiliário recebe 6% do preço de venda e trabalha um mês ...

4. A questão da recuperação Crackolândia creio que pode dar certo. É uma intervenção de folêgo, e ão é fácil derrubar 3 quarteirõs, são muitos proprietários, situações legais complicadas dos imóveis, entra no meio a justiça com sua tradicional rapidez.
Existem tantas áreas em plena deterioração ou já deterioradas no Centro expandido, com transporte generoso, todos os serviços públicos à porta, Tudo o que uma cidade precisa para funcionar bem. Mas o poder público não pode atuar sòzinho tem que existir a participação privada.

5. A política : qual o político que não tem obsessões futuras e não quer criar fatos "midiáticos" ? Só os do PT é que não tem e não criam ? O CEU não foi um fato midiático? Um dos mais flagrantes e curiosos casos dessa obsessão é o do próprio Lula, para quem só servia a presidência, ser deputado federal não estava à altura de sua (autoconsiderada) "importância", não "conviveria com 400 picaretas", ah, ah.
Claro que exagerei no comentário sobre o Berlusconi, mas já não aguento mais desse papo maniqueísta : "só PT é bom, só o PT é sério, só candidatos do PT prestam, só seus políticos entendem o povão, o resto é a nova direita(sic) e uma merda". Não é assim que melhoraremos a política desse país.

abraço

peri s.c. disse...

Erratas
1. " corporativamente em conjunto" ficou "du carái" ....
um ou outro, claro

2. " ... não é fácil derrubar 3 quarteirões "

hélio disse...

Em geral concordo com vc Peri.
Também acho, um só projeto não fará diferença alguma. Mas para tirar esse peso de sermos incompetentes, que a Patty diz acima, seria muito bom.
Eu sei que não é fácil derrubar, mas quando é necessário os processos andam de qualquer maneira. É preciso entender que as necessidades para que essa recuperação aconteça passa por uma radicalização. Se vc não promover o novo, a renovação não acontece. Anda de lado. Quem é que vai sair de casa para dividir os espaços com um fumador doidão de crack afim da tua pele? Se não demolir, e construir o novo, junto com o que de significativo do passado houver, nada acontecerá.

Não concordo com essa sua avaliação do pt. Respeito. Os motivos para não se gostar do pt são inúmeros. As prioridades do pt não são melhores, nem piores. São do pt. O problema, é que tem muita gente agora, dizendo que aquelas prioridades não são do pt, são deles. Aí fica dificil. Dos erros que o pt cometeu, o da arrogância e o da ingenuidade, já foram punidos pela população.

Depois do -"bush meu filho"... certamente o lula alfinetou o italiano com um: -"companheiro silvinho, a tua ferrari é uma porcaria, hein?" hahaha.

peri s.c. disse...

Patty
Como escrevi no "P.S." do meu texto, o Niemeyer sempre fez incontáveis obras no exterior convidado diretamente. O PMdaR está fazendo p projeto de uma Universidade na Espanha e um outro em Portugal. Não soube de passeatas de arquitetos de lá protestando.
Nosso maior problema é cultural.
Ninguém liga para Arquitetura. Porisso que o ON é que abarca praticamente todos os projetos públicos significativos ( quaisquer que sejam os tons ideológicos do governo no poder ), uma preguiça mental generalizada, sentam sobre a "griffe" ON. Um detalhe : quando Juscelino o chamou para fazer a Pampulha ele era jovem com poucas obras realizadas, mas já havia tido a oportunidade de trabalhar no projeto do prédio do Ministério da Educação e Saúde no Rio, compondo a equipe formada pelo autor do projeto, um arquiteto convidado estrangeiro, francês de origem suiça chamado Le Corbusier ( um dos maiores ).

Se você começar a olhar anúncios imobiliários em jornais verá que o arquiteto do projeto praticamente só apareceem projetos muito especiais.No entanto é dado destaque ao autor do paisagismo e ao(à) decorador(a) do apartamento decorado.
Capacidade temos, o que precisa é mudar a mentalidade dos detentores dos capitais.

peri s.c. disse...

Hélio
Grandes obras viárias só mudam o congestionamento de lugar. Intervenções urbanas também vão apenas deslocar os problemas. Arquitetura e planejamento não resolvem problemas sociais. Sou da época em que a Sociologia imperava na USP e já havia consenso disso, o capitalismo emergente ( agora estabelecido ) trazia deseconomias urbanas incontornáveis. Já se dizia que governabilidade em uma cidade, só naquelas com até 1 milhão de habitantes. Nossos problemas sociais são paquidérmicos, não adianta pensarmos em resolver os desequilíbrios físicos da cidade só depois de resolvidos os sociais.Temos que agir onde for possível.

Quanto ao PT, deixa prá lá, temos assuntos mais importantes e mais interessantes para tratar.

peri s.c. disse...

Helio
Sobre o monstrengo de Bilbao, procure aqui no Armazem um post antigo que fiz sobre o projeto de um hotel do Gehry, feito para uma vinícola espanhola, em plena cidadezinha com ares medievais.

Anônimo disse...

Peri:
Ao citar o monstrengo de Bilbao,lembrei-me do monstrengo Bandeirante da Avenida Sto Amaro.
Parodiando as 7 maravilhas do Mundo Antigo e as 7 do mundo moderno(eleitas por votação na internet,onde nossa participação se faz presente com o Cristo Redemptor),pergunto:
Quai são os 7 pecados capitais(das),em Arquitetura?

Günther.

Fernando Zanforlin disse...

O suiço Mario Botta fez o Museu de São Francisco, Patty, já pensou nós, fazendo o Museu de Caçapava.
O acontecido é que os clientes é que são ruins, querem sentar numa cadeira de espaldar bem alto, aparecerão para os amigos e a parentela como reis.
Quando a √i diz que somos criativos, sim somos e muito, quando não copiamos ninguém.
Se verificarmos a quantidade de lançamentos de prédios veremos o que a sociedade que tem grana quer e gosta.
Observe os " grandes" investimentos imobiliários ( empresariais), veremos como está a arquitetura.
Vejo muito claro, isso aí.
Ƨs

Só- Poesias e outros itens disse...

Oi!!!
Adorei saber desta novidade, e parece que a briga ai em cima está fervendo.
Para mim, um lugar privilegiado para as artes é altamente relevante para todos.

bjs.

JU Gioli

peri s.c. disse...

Günther
- Genericamente ou especificamente ?
- Capitais em qual capital?

peri s.c. disse...

Fernando
O "reduto" já brinca com o fato de Mario Botta estar "fora da midia" ...

peri s.c. disse...

Ju
A notícia : é promissora.
A briga : como bem lembrou o Fernando Z.,poderia ser uma situação idêntica a que já passamos na reserva de mercado no setor de informática. Ficamos só uns 10 anos atrasados no quesito.
bjs

hélio disse...

Peraí Peri!
estamos falando em revitalização de áreas urbanas degradadas, esse papo sociológico eu não tenho a menor condição de opinar, pela minha ignorância. Não tenho a menor intenção de resolver problema social com Planejamento ou Arquitetura. Sei que não é isso. O que falo, é de numa área urbana em que existem muitos imóveis fechados, abandonados, ocupados ilegalmente, ruindo, minha proposta é derrubar o que não faz falta nenhuma. Demolir. Com isso se abre uma área nobre da cidade, para que se desenvolva: construindo habitações, comércio, escolas, escritórios... alterando as funções, novas pessoas habitarão a região,forçando novos empreendimentos, só assim o entorno e seus habitantes mudarão. Um amigo dizia: - "Ateie fogo e deixe aparecer o novo."
É necessário uma atitude que saia dos padrões acadêmicos formais. O problema é que sempre temos que copiar algo, como bem diz o Fernando. Do que eu falo, não temos como copiar de ninguém, é um problema Urbano nosso, que tem que ser resolvido aqui. Ou não. Mas tem que ser resolvido.
O que é dificil não são complicações de nenhuma forma. O que não existe, neste país, é politico que se disponha a levar pau de todos os lados, colocando sua carreira em risco, para realizar o que está sendo proposto.
Deixar nas mãos de políticos o desenvolvimento das cidades, é o que estamos vendo, a cidade fica com a carinha deles... E os problemas ficam impossíveis de resolver.
Quando me referi ao Gerhy, não era questionando sua obra, ou fazendo qualquer julgamento, foi um exemplo de que em Arquitetura como na realidade, existem muitas verdades. Ou melhor, a verdade é muito relativa. Aliás, vc tem colocado algo que eu não tinha me dado conta: os Arquitetos (não decorador) midiáticos...
Mario Botta pode não ser midiatico como tantos outros não são, mas isso importa? O cara é um mestre.

peri s.c. disse...

Hélio
Sociologismos à parte, na verdade nosso raciocínio é o mesmo ( e o mesmo do projeto Crackolândia ) : derruba tudo o que não tiver valor arquitetônico ou que a reforma seja inviável pelo custo. Você conhece a velha máxima : mais barato demolir e construir de novo .


Os políticos, não esqueça, são a nossa "carinha". E sem política você não implementa qualquer ação de planejamento.

Sobre a " arquitetura midiática" fico pensando porque não chamaram o Frank Gehry e a Zaha Hadid para a seletiva. Creio que acharam que aí seria demais.
Botta é finésimo.

Anônimo disse...

Peri:
Esqueçamos os genéricamente e os especificamente.
Hoje é Sexta-Feira e aguardo ansiosamente tomar um "goró" no Armazém!(Com música).
Günther.
Obs:Postei mais uma no Agostinho.
Günther.

peri s.c. disse...

Günther
Goró sempre tem, música o Coreto Musical vem no domingo, porque amanhã dia 15 é dia da Tertúlia Musical, quando blogueiros a fins postam sobre o mesmo tema., diversas visões sobre a mesma bagaça, sacumequié. amanhã o tema é "meu idolo" ou como diria Alberto Roberto : meu ídalo.

peri s.c. disse...

Günther

Corrigindo e continuando :
- Ah, ah, que "Tertúia Musical" que nada, "Tertúlia Virtual"

- Que Agostinho é esse ?

Anônimo disse...

O "dos Santos".Dois postes abaixo do seu armazém.
Günther.

peri s.c. disse...

Günther
Ah, sim. Sou avisado dos comentários que aparecem via e-mail,graças a uma ferramentinha do Blogger, esqueci de responder, mas já está respondido.

peri s.c. disse...

Günther
os links dos participantes tertuliantes estão aqui : http://tervirtual.blogspot.com/

Fernando disse...

Oi, Peri,
de fato, desconhecer a capacidade de qualquer um dos quatro escritórios pré-selecionados, todos com notório saber específico (seja lá o que isso possa significar,rsrsrsr), nem pensar.
Nem desconhecer a idéia de que um concurso nacional teria sido muito mais... correto, digamos.
Perfeita a frase do Rino Levi, sobre a diferença entre ser um especialista e um não especialista.
Diria, mesmo, que outra diferença poderia ser feita pela própria oportunidade. Canso de discutir isso com colegas e , até, clientes.
Enfim, já que o estupro é inevitável..., torçamos para que o inchaço não seja igual à Cidade da Música aqui do Rio,onde de pouco menos de 100 milhões, passaram para mais de 500 milhões de reais. E o bicho ainda não ficou pronto.
Last, but not least, diria que a nossa combativa categoria, aos poucos (ou mais) está chegando ao ponto de ser a ....combatida categoria.
Vamos rir, pra não chorar.
abração, e parabéns pelo post, PERFEITO!!!
fernando cals

peri s.c. disse...

Fernando

Grato pelo comentário, perfeito.
Difíl ser conciso num assunto com tantas nuances que dá para escrever umas 3 páginas.
abração

hélio disse...

Peri, Fernando Cals,
estamos mais para combalida, do que para combativa categoria, sem dúvida é rir para não chorar.

peri s.c. disse...

Hélio
Precisamos nos sacudir.
Primeiro passo : implodir todos os nossos órgãos representativos, panelinhas auto-referentes desde sempre.

João Menéres disse...

Peri: Meu blog esteve bloqueado até há pouco.
Agora estou no nº 39.
Não tive (nem tenho) cabeça para comentar seja o que fôr.
Me desculpe. Voltarei para a semana.
Ab,

peri s.c. disse...

João
está desculpado.
sbraço