Mais um passeio na prateleira arquitetônica do Armazém, com um texto de Willian Curtis abduzido do blog do Alencastro, numa “ porca tradução “ segundo ele (não vamos pesquisar a veracidade da porcaria ).
Apresentamos um texto muito interessante, que na verdade pouco tem a ver com nossa realidade tupiniquim, já que aqui ainda estamos alguns séculos atrasados nas possibilidades arquitetônicas : nossos brilhantes empreendedores e endinheirados investidores/compradores ainda deleitam-se com edificações fake pseudo-inspiradas em uma suposta época “neo”-clássica ou neo-qualquercoisa. Outro dia visitando o site de um de nossos arquitetos especialistas em vidas passadas de estilos " nobres", ele num vídeo sobre o lançamento de mais um destes bolos de noiva, exaltava os " aspectos de modernidade" do projeto, ah, ah.
Já em plagas estrangeiras, nos hemisférios dito desenvolvidos e nos desertos, cheios de areia em cima e petróleo em baixo, alguns deuses do Olimpo arquitetônico, divertindo-se com as possibilidades contemporâneas dos materiais e da engenharia, soltam a franga em seus sofisticados computadores. É aí que o texto abaixo, pega.

Frank Gehry / Museu Guggenheim Bilbao
"A arquitetura atual corre o perigo de se degenerar em um jogo que desenvolve-se com formas excessivamente complicadas e imagens geradas por computador, quando desenhistas e clientes atraem a atenção para si mesmos com os chamados edifícios 'icônicos'. Se faz de tudo para conseguir um efeito rápido para seduzir os políticos e gestores com gestos sensacionalistas em sintonia com o marketing, com a privatização, com os interesses fugazes do capitalismo global e com a 'sociedade do espetáculo'. Como é habitual, a arquitetura também se presta para ocultar e idealizar as manobras e artimanhas do poder político e financeiro. Mas os grandiosos projetos resultantes, às vezes não funcionam adequadamente, chocam-se com o contexto e custam uma fortuna em manutenção. Temos agora o jogo 'icônico' em que promotores e arquitetos buscam fazer com que seus projetos super dimensionados criem 'identidade' a esta ou aquela cidade, uma afirmação absurda quando se trata de lugares centenários. A linguagem dos gabinetes estratégicos é usada para comunicar-nos que agora a arquitetura é uma 'marca' para vender uma coisa ou outra no mercado global: vinho, arte, moda, propaganda de ditaduras ou qualquer outra coisa. Neste ambiente de promoção não surpreende que se faça tanto esforço na imagem sedutora e virtual a custa da realidade construída. Muitas operações de construção em grande escala não são mais que pacotes de investimentos internacionais. Trazem poucos indícios de preocupação social ou local; só por que está na moda, limitam-se a fazer algum barulho para demonstrar que se pensa no meio ambiente. Como as imagens efêmeras que se criam na tela de um computador, o projeto arquitetônico corre o risco de ver-se reduzido ao nível das superfícies e dos efeitos fugazes.
O chamado 'efeito Bilbao' é uma faca de dois gumes para a arquitetura. Os prefeitos estão agora submetidos a ilusão ingênua que só podem construir grandes projetos pelas mãos de arquitetos estrelas para garantir o 'prestígio'. Lamentavelmente, no lugar de produzir edifícios funcionais, sólidos e belos, vários membros do star system, alguns deles vencedores do Premio Pritzker (que absurdamente é proclamado como o equivalente ao Nobel da arquitetura) criam desenhos arbitrários e ostensivos sem substância durável: uma arquitetura de gestos vazio e formas complicadas em excesso que não possuem um verdadeiro significado. Se um Pritzker é usado como uma 'marca' que supostamente garante superioridade, a quantidade de sua produção se impõe a qualidade. A arquitetura contemporânea sofre de uma hiperinflação que combina uma deliberação precipitada do desenho, estúdios excessivamente grandes e uma produção automatizada. Há um risco real de que os arquitetos produzam caricaturas de seu próprio trabalho para o 'mercado'. Neste sistema, a arquitetura perde a alma e se vulgariza como uma forma de publicidade. Necessitamos verdadeiramente de mais museus como parques temáticos, aeroportos faraónicos que não funcionam, ou arranha-céus com formas vagamente fálicas? A arquitetura tem objetivos mais sérios a perseguir, que deve servir a sociedade e a cultura a longo prazo, contribuindo de maneira positiva tanto para a cidade como para a natureza."

Zaha Hadid / Art Center Abu Dhabi
Já corremos o provável risco de termos aqui no Brasil um destes assustadores objetos tridimensionais assombrando nossa paisagem, quando a Prefeitura do Rio de Janeiro tentou a construção de mais um museu Guggenheim, com projeto de Jean Nouvel , que de vez em quando exagera na dose . Vide a obra abaixo. Gostaria de saber o que os nativos acharam .
Jean Nouvel / Torre Akbar Barcelona