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21.4.08

Cenas Urbanas 2

Mais um passeio na prateleira arquitetônica do Armazém, com um texto de Willian Curtis abduzido do blog do Alencastro, numa “ porca tradução “ segundo ele (não vamos pesquisar a veracidade da porcaria ).

Apresentamos um texto muito interessante, que na verdade pouco tem a ver com nossa realidade tupiniquim, já que aqui ainda estamos alguns séculos atrasados nas possibilidades arquitetônicas : nossos brilhantes empreendedores e endinheirados investidores/compradores ainda deleitam-se com edificações fake pseudo-inspiradas em uma suposta época “neo”-clássica ou neo-qualquercoisa. Outro dia visitando o site de um de nossos arquitetos especialistas em vidas passadas de estilos " nobres", ele num vídeo sobre o lançamento de mais um destes bolos de noiva, exaltava os " aspectos de modernidade" do projeto, ah, ah.

Já em plagas estrangeiras, nos hemisférios dito desenvolvidos e nos desertos, cheios de areia em cima e petróleo em baixo, alguns deuses do Olimpo arquitetônico, divertindo-se com as possibilidades contemporâneas dos materiais e da engenharia, soltam a franga em seus sofisticados computadores. É aí que o texto abaixo, pega.


Frank Gehry / Museu Guggenheim Bilbao


"A arquitetura atual corre o perigo de se degenerar em um jogo que desenvolve-se com formas excessivamente complicadas e imagens geradas por computador, quando desenhistas e clientes atraem a atenção para si mesmos com os chamados edifícios 'icônicos'. Se faz de tudo para conseguir um efeito rápido para seduzir os políticos e gestores com gestos sensacionalistas em sintonia com o marketing, com a privatização, com os interesses fugazes do capitalismo global e com a 'sociedade do espetáculo'. Como é habitual, a arquitetura também se presta para ocultar e idealizar as manobras e artimanhas do poder político e financeiro. Mas os grandiosos projetos resultantes, às vezes não funcionam adequadamente, chocam-se com o contexto e custam uma fortuna em manutenção. Temos agora o jogo 'icônico' em que promotores e arquitetos buscam fazer com que seus projetos super dimensionados criem 'identidade' a esta ou aquela cidade, uma afirmação absurda quando se trata de lugares centenários. A linguagem dos gabinetes estratégicos é usada para comunicar-nos que agora a arquitetura é uma 'marca' para vender uma coisa ou outra no mercado global: vinho, arte, moda, propaganda de ditaduras ou qualquer outra coisa. Neste ambiente de promoção não surpreende que se faça tanto esforço na imagem sedutora e virtual a custa da realidade construída. Muitas operações de construção em grande escala não são mais que pacotes de investimentos internacionais. Trazem poucos indícios de preocupação social ou local; só por que está na moda, limitam-se a fazer algum barulho para demonstrar que se pensa no meio ambiente. Como as imagens efêmeras que se criam na tela de um computador, o projeto arquitetônico corre o risco de ver-se reduzido ao nível das superfícies e dos efeitos fugazes.

O chamado 'efeito Bilbao' é uma faca de dois gumes para a arquitetura. Os prefeitos estão agora submetidos a ilusão ingênua que só podem construir grandes projetos pelas mãos de arquitetos estrelas para garantir o 'prestígio'. Lamentavelmente, no lugar de produzir edifícios funcionais, sólidos e belos, vários membros do star system, alguns deles vencedores do Premio Pritzker (que absurdamente é proclamado como o equivalente ao Nobel da arquitetura) criam desenhos arbitrários e ostensivos sem substância durável: uma arquitetura de gestos vazio e formas complicadas em excesso que não possuem um verdadeiro significado. Se um Pritzker é usado como uma 'marca' que supostamente garante superioridade, a quantidade de sua produção se impõe a qualidade. A arquitetura contemporânea sofre de uma hiperinflação que combina uma deliberação precipitada do desenho, estúdios excessivamente grandes e uma produção automatizada. Há um risco real de que os arquitetos produzam caricaturas de seu próprio trabalho para o 'mercado'. Neste sistema, a arquitetura perde a alma e se vulgariza como uma forma de publicidade. Necessitamos verdadeiramente de mais museus como parques temáticos, aeroportos faraónicos que não funcionam, ou arranha-céus com formas vagamente fálicas? A arquitetura tem objetivos mais sérios a perseguir, que deve servir a sociedade e a cultura a longo prazo, contribuindo de maneira positiva tanto para a cidade como para a natureza."

Zaha Hadid / Art Center Abu Dhabi

Já corremos o provável risco de termos aqui no Brasil um destes assustadores objetos tridimensionais assombrando nossa paisagem, quando a Prefeitura do Rio de Janeiro tentou a construção de mais um museu Guggenheim, com projeto de Jean Nouvel , que de vez em quando exagera na dose . Vide a obra abaixo. Gostaria de saber o que os nativos acharam .

Jean Nouvel / Torre Akbar Barcelona


12 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Muito importante e interessante esta postagem!

Boa semana, curta....

Só- Poesias e outros itens disse...

ótimo tema para um debate.
As artes contemporâneas sofrem essa simulação do "atual e moderno"
onde instalações sem sentido invadem galerias. Os pintores esqueceram da "beleza" e assim da arte, vejo que na arquitetura o impasse é o mesmo: instalações sem sentido, sem o senso do humano.

bjs.

JU Gioli

ery roberto disse...

Peri, esta última, com cara de "projétil" ficaria bem no lugar da Casa Branca, não ficaria? Tem o jeitão do Bush...

peri s.c. disse...

Eduardo
é mesmo, tanto que republiquei o post, lá no Alencastro a frequência é mais dos membros do "reduto", e bateu record de comentários, assunto polêmico.

peri s.c. disse...

Ju
A questão é que as "artes" depois de vistas, se descartáveis vão para um depósito qualquer.
A arquitetura, boa ou má, coerente ou não com os espaços onde é lançada, vem para ficar, alegrando ou incomodando.

bjs

peri s.c. disse...

Ery
essa fálica trolha seria um bom logotipo tridimensional da testosterona americana, em geral.

Marcio Gaspar disse...

ano passado, chegando em barcelona de avião, o pirulão 'em riste' destacou-se - e 'sujou'- o belo visual da cidade vista de cima. não entendo nada de arquitetura, mas emocional e intuitivamente, detestei a ousadia fálica...

Fernando Zanforlin disse...

Peri, sobre essa arquitetura pósmoderna, ela é um vírus muito ruim.
Tem tanta coisa para falar sobre ela, que até cansa.
Fiquei 3 anos estudando esse trem, li e pesquisei até a exaustão.
Penso ser muito complicado rebate-la, pois socialmente ela é nefasta, por outro lado ela é um reserva de capital.
Bom, o bom é que suscita reflexões.
O Habermas tem um pensamento que vai ao encontro dessa arquitetura que é um conceito de espaço público, e questiona legal essa modernidade. ( deu branco sobre o que ele conceitua).
Ab.

peri s.c. disse...

Marcio
pois é, não conheço Barcelona, mas acho que a Sagrada Família é uma coisa e o pirulão outra bem diversa.

peri s.c. disse...

Fernando
Esta arquitetura eu diria que é pós-pós-moderna. Assunto para muito papo. Procure aqui no blog um post anterior que fiz sobre o hotel da Marquês de Riscal, outro devaneio do Gehry, pousado como uma nave alienígena numa vilinha medieval.
E dê uma olhada nos comentários lá no post do Alencastro.

anna disse...

fealica barcelona, devia ser o nome dessa torre.

e peri's, gostei do center abu dhabi. mesmo que não seja funcional.

peri s.c. disse...

Anna
A. Dhabi : foto no angulo certo, uma ciência neste tipo de arquitetura.
Este projeto visto de cima é muito interessante.