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3.12.09

O dinheiro sempre nas cuecas e meias erradas



Vida de artista , particularmente os bons, no Patropi, é dura

gravura do fantástico Marcelo Grassmann
( simbiose de fantásticos : o artista e sua temática )



Reproduzo aqui um post do Ricardo Kotscho, extraído do blog O Balaio do Kotscho , com uma pequena edição de texto , texto completo, lá .

" Família pede apoio para divulgar obra de Grassmann


Sempre achei que o jornalismo e, agora, mais particularmente, a internet, podem servir à sociedade não apenas com informações e entretenimento, mas ajudando as pessoas a colocar em prática seus projetos de vida.

Foi assim, por exemplo, que contei aqui no Balaio, no ano passado, o drama vivido por Tinoco, da antiga dupla sertaneja Tonico e Tinoco. Aos 88 anos, ele continuava procurando shows para trabalhar e poder sobreviver. Quase mil leitores enviaram comentários e várias pessoas se dispuseram a ajudá-lo. Pelo menos, ele deixou de se sentir tão sozinho nesta altura da sua longa carreira de mais de 70 anos.

Esta semana recebi, e reproduzo abaixo, um apelo enviado ao Balaio por Paulo Grassman, em nome desta família de artistas premiados que agora buscam apoio para divulgar a sua obra. Se alguém puder ajudá-los, a arte brasileira agradece.

.........

Caro Ricardo,

Escrevo em nome de 2 pessoas que muito admiro e em nome da Arte.

Sou filho de Roberto Grassmann, um mestre impressor da arte da gravura em metal. Pois é, raras são as pessoas que conhecem o que meu pai faz há mais de 50 anos.

A outra pessoa por quem escrevo é meu “super tio”, Marcello Grassmann. Quem?

Poucas pessoas sabem quem é, mas não há quem não tenha ficado pasmo, admirado, emocionado, quando teve a oportunidade de ver um obra feita por ele. Sobre ele eu digo:


Eu tenho 43 anos, meu pai 77 e meu tio 84. Sempre vivemos dignamente, sem luxo, “só” o luxo da arte. Mas por que lhe escrevo? Para pedir sua ajuda na divulgação da edição especial “Gravuras da vida de Grassmann”.

Não tenho intenção de ser piegas. Apenas relato que meu pai vive da minguada aposentadoria do INSS, que vai encolhendo ano a ano, e ainda do trabalho como impressor (quando aparece), trabalho esse “bem pesado”.

Assim tembém vive meu tio Marcello Grassmann, que hoje troca suas obras pelo aluguel do apartamento onde mora, ainda produzindo “arte maior”.


Faço esse breve relato para dizer que o Brasil, com sua riqueza e diversidade, tem muito a oferecer para a humanidade.

Para um país que busca cada vez mais um papel de liderança e respeito, o caminho da valorização de seus artistas, a preservação de sua arte, uma política de divulgação da nossa arte maior para o mundo, se faz urgente, necessária, e será mais eficaz na conquista desse respeito do que a compra de arsenais bélicos.


Sobre meu tio Geraldo Ferraz escreveu sobre ele em 1975: “Adstrito aos temas que se desdobraram na fidelidade de sua visão adstringentemente original, entre o visionário e o fantástico, Grassmann paira acima de qualquer discussão. Ele pertence à arte maior.” José Roberto Teixeira Leite, com muita propriedade, acentuou que “Grassmann é deliberadamente arcaico, seu mundo é o de um faizeur de diables, flor perdida no tempo e no espaço do gótico fantástico”.


Quem buscar por Marcello Grassmann na internet terá a oportunidade de conhecer um pouco sobre ele, artista internacionalmente renomado, ele mantém obras nos acervos dos principais museus do Brasil e do Exterior. A Pinacoteca do Estado de S.Paulo possui uma importante coleção de obras anteriores a 1971. Ele destaca-se por ser um dos mais premiados desenhistas brasileiros na história da Arte Moderna. Participou de mais de 300 exposições. Suas obras fazem parte do acervo do MoMA de Nova York, da Bibliothèque Nationale de Paris, do Museum of Fine Arts de Dallas. No Brasil, além da Pinacoteca do Estado, podem ser vistas na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, no Instituto Moreira Salles em Poços de Caldas, no MAM-Museu de Arte Moderna e no MAC-Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, no Museu de Belas Artes no Rio de Janeiro, no Itamaraty e no Museu Oscar Niemayer de Curitiba.


Voltando da “GRAVURAS DA VIDA DE GRASSMANN”, o motivo desse contato, talvez Grassmann seja o primeiro Grande Mestre na historia da arte a conseguir fazer uma edição especial completa reunindo toda sua obra em gravura em metal, cerca de 200 obras reunidas ( conheça detalhes também no blog, www.marcellograssmann.blogspot.com ).

Uma edição histórica, de valor artístico inestimável, importante que seja preservada para as futuras gerações, obra de um brasileiro que reconhecidamente está entre os grandes mestres da arte em toda sua história.

E finalmente a família busca um mecenas, apoio de grandes empresários, do nosso governo, quem sabe até o itamaraty (não imagino melhor presente para um chefe de estado por exemplo) para adquirir as 6 edições que a família possui, tanto pelo amparo financeiro, mas também pela arte.


Grato caro Ricardo pela oportunidade de lhe escrever, forte abraço!

Paulo Roberto Grassmann "


16 comentários:

anna disse...

é muito triste.
enquanto alguns, incensados por arquitetos de interiores, recebem milhões, artistas de nome e sobrenome passam por isso.

será que é carma?

peri s.c. disse...

Anna
Um pouco além do carma.

Se você não conhece, recomendo o livro A palavra Pintada, do Tom Wolfe, que explica, entre outras coisas os modismos e o mercado da arte moderna.

Achei esse pequeno texto sobre ele :
" Tom Wolfe é um dos jornalistas mais consagrados de sua época. Ele começou a ficar famoso na segunda metade dos anos 60 com um dos fundadores do new journalism e, dez anos mais tarde, já era mundialmente conhecido como um cronista atento e devastador da sociedade, das artes e da istória americana. Suas inovações no estilo, sua vivacidade como repórter, sua erudição como ensaísta e a eloquência de seu discurso transformaram seus ivros em clássicos instantâneos. Ao longo destes últimos vinte anos, Wolfe desvendou o universo de inúmeros segmentos sociais dos Estados Unidos: hippies, militares, boêmios, astonautas, artistas, a esquerda, os Black Panthers - geralmente sem deixar pedra sobre pedra. A Palavra Pintada é o primeiro livro de Tom Wolfe publicado no Brasil. Neste ensaio incandescente, polêmico e hilariante, ele retraça o curso errático da pintura moderna - ou melhor, da história social da arte moderna - desde a revolução cubista (uma revolução contra o conteúo literário na arte) até o presente, quando, inconscientemente, a pintrua se tornou uma paródia de si mesma, obcecadamente devotada a seguir a palavera dos críticos-gurus, cujas teorias altamente conflitantes entre si acabaram transformando a pintura em algo tão literário, acadêmico e maneirista quanto a pintura de salão, contra a qual inicialmente ela se rebelara. Desde que foi lançado, em 1975, A Palavra Pintada tornou-se um texto indispensável para a compreensão das vanguardas artísticas, das trajetórias e do futuro da arte nos países capitalistas. "

peri s.c. disse...

Anna
à propósito : você tem a receita de como virar um " incensado arquiteto de interiores, recebendo milhões " ? eu me candidato ao posto, eh, eh.

disse...

passo a passo:

- corte o cabelo no wanderley nunes e sem muito alarde converse com ele buscando alguma futura dica/apresentação
- compre roupas aparentemente caras
- dê um jeito de ir a um dos jantares da lucila diniz
- compareça a um camarote no rio e na bahia durante o carnaval
- varie de companhia a cada evento (sem intimidades, senão minha amiga sra peri's vai ficar maus comigo)
- evite ao máximo, enquanto não for famoso, aparecer na caras.
- quando for, permita somente poucas e decentes fotos (sem estar numa banheira, por exemplo)e uma curta entrevista
- vá a todos vernissages de novos artistas e os consagrados.

bem, desejo boa sorte!

ah... não esqueça de convidar aos novos influentes amigos para uma pizzada na "peri's".

Anônimo disse...

hehe... sá dai de cima sou eu!

anna

Eduardo P.L disse...

Peri, muito triste essa realidade, brasileira, das artes!Fiquei tocado pelo texto e triste notícia. Vou postar no Varal!

peri s.c. disse...

Anna

ah, ah, perfeito o seu roteiro para alcançar os píncaros do sucesso. Só não sei se terei estômago para cumpri-lo integralmente.

E pizza, na nossa Piccola e Antica Forneria Famiglia S.C. , só para poucos e bons, eh, eh.

peri s.c. disse...

Eduardo

Triste mesmo, Edu .
Ainda mais quando se trata de um artista do nível do Marcelo Grassmann.
Enquanto isso, como bem lembrou a Anna, alguns artistas banais enchem as burras ...

Alceu disse...

A Anna esqueceu de dizer que você tera que ser aceito do gay power.
Não é homofobia. É realidade...

bjs (ops)),
Alceu Dispor

peri s.c. disse...

Almeu Dispor

Elegantes, evitamos esse detalhe, notória e intensamente praticado no setor.
Caracteriza quase uma cooncorrência desleal.

Anônimo disse...

Peri,

muito oportuna a postagem. Pena que resulte em inevitavelmente tristes e duras refexões e constatações.

Beijo
Vivina.

peri s.c. disse...

Pois é, Vivina

Estas tristes e duras reflexões e constatações que me levaram a reproduzir o post do Kotscho.

bj

Marcio Gaspar disse...

lamento muito pela familia grassmann, mas lamento ainda mais por ter certeza tratar-se essa, de apenas uma história entre tantas, muito mais escabrosas e revoltantes. por essas e outras é que é também sintoma inequívoco de burrice, a afirmação de muitos, do tipo 'antes de cultura e arte, o país precisa cuidar da educação, da saúde..' como se fossem coisas estanques e independentes.

peri s.c. disse...

Marcio

Por um acaso você se refere à nova "bolsa-cultura" ?
Realmente os Grassmann estarão salvos em breve, vendendo gravuras às pencas para o povo que vai se acotovelar, ansioso, atrás de novos horizontes estéticos ...

E quem diria, hem Marcio, depois do affair Sarney, Lula agora ainda tentou defender a turma das meias e cuecas de Brasília, quiuspa, hem ....

Marcio Gaspar disse...

não peri, não me referia à bolsa-cultura... e sim a esses comentarios que sao feitos a granel e há tempos, sem referencia a este ou aquele governo. e a declaração do lula? ué, ele tinha que manter a 'coerência'de discurso, depois de passar anos dizendo que 'não se deve condenar ninguém a priori...'. é duro ser presidente...

peri s.c. disse...

Marcio

Se como declarou um tempo atrás o Cristovão Buarque, educação não dá voto, e portanto os governos só se preocupam com um mínimo necessário em relação a ela, cultura então ...
está entregue às moscas.
Ministros da Cultura ( Gil inclusive ) devem ser vistos apenas como aqueles louquinhos que "devemos aguentar".

Não é fácil mesmo ser presidente, principalmente quando seu maior talento é o palanque, acaba esquecendo que em boca aberta entra mosca, mosquito e muriçoca . Engoliu mais um destes seres esvoaçantes ontem na Alemanha, parece que agora acha bonito fazer prosiletismo pró-Irã e lá na Europa, putz. O "cara" tá viajando e " viajando" demais, o jet-leg está ficando crônico.