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29.3.09

Recomeçou ...


... e bem, a Formula 1.



foto Mark Thompson / Getty Images


Bom negócio, amanhã de manhã, montar uma barraquinha de facas Ginsu na porta do prédio da diretoria da Honda, no Japão. Vai rolar muito harakiri por lá.

No fim do ano passado eles decidiram abandonar as disputas, fechando sua equipe de F1.
Conforme afirmaram, em função da crise econômica. E depois de vários anos gastando uma grana polpuda e fazendo só carros ruins ( cadê a dita eficiência nipônica? ).
Mas como o investimento é muito grande, passaram para a frente instalações, equipamentos e funcionários, era muito mais barato vender tudo por qualquer preço que fechar a equipe . Surgiu então das cinzas fumegantes da ex-Honda, a Brawn GP que, neste fim de semana em sua estréia, fez 1º e 2º lugares nos treinos e na corrida do GP da Austrália, eh, eh.


...................


O distinto público que frequenta esse Armazém, com sérias inclinações pelas artes, não liga muito para carros. Se bem que um de nossos records de comentários ( em post não-polêmico, ou seja, não tratava de política nem era da Tertúlia Virtual ) foi um sobre um cult e desejado carrinho, o Karmann-Guia. Curioso.


Bem, na inglória missão de tentar entender esse país, iniciada quando éramos ainda criancinha, nunca descartamos nenhuma das eventuais fontes de informações críticas que surgiam pela frente ou pelos lados. E, incrível, até a Fórmula 1 serve para algumas análises sócio-antropológicas, mesmo que de botequim.
Vide a seguir o ótimo texto do
Flavio Gomes , onde ele especula sobre as contradições do comportamento do brasileiro, esse ser quase cordial :



" Faça a experiência com seus amigos que gostam de F1, ou mesmo com os que acompanham a categoria meio a distância, quando se lembram de que tem corrida ou assistem sem querer pela TV. Pergunte a eles para quem torcerão se, por uma dessas ironias da vida, Rubens Barrichello e Felipe Massa largarem nas primeiras posições do GP da Austrália e dividirem uma freada assim que se apagarem as luzes vermelhas.

Pode ir um pouco além. Pergunte a eles quem preferem que seja o campeão do mundo neste ano, o jovem e espevitado Felipe, vice em 2008, piloto da forte e poderosa Ferrari, ou o esculhambado Rubens, piada pronta para o humor meio esquisito do brasileiro nos últimos, sei lá, 15 anos.

Bem, eu fiz essa pesquisa sem valor estatístico, como se diz, no meu blog — e, também, informalmente aqui e ali, na padaria, na academia de ginástica, no ponto de táxi, no botequim.

Está dando Barrichello. E de lavada. Mais ou menos 80% das pessoas que se manifestaram na minha página na internet vão torcer desesperadamente por ele. Desconfio que o resultado será o mesmo se você fizer sua pequena pesquisa pessoal.

O que explicaria tal virada na estranha preferência popular verde-amarela? Afinal, Rubens estava praticamente descartado da F1, só foi confirmado como titular de uma equipe estreante e potencialmente fraca há algumas semanas, e Massa tem pouquíssima rejeição do público, pela postura sempre positiva, vencedora, aguerrida.

Barrichello, desde as primeiras lamúrias quando do início da convivência com Michael Schumacher na Ferrari, passou a ser visto por aqui como o chorão, o pé-de-chinelo, o da sambadinha ridícula, o anti-herói do Brasil, uma espécie de Macunaíma das pistas. Foram anos e mais anos de declarações desastrosas, promessas não cumpridas, expectativas não atendidas.

Felipe, por sua vez, assumiu seu posto na Ferrari como a antítese do antecessor. Nunca reclamou de nada, cometeu erros e os assumiu, amadureceu, lutou pela taça na última temporada até o último instante e, ao perdê-la, recusou o papel de vítima do destino. Ao contrário, elogiou seu algoz, Lewis Hamilton, não negou a ele o mérito pela conquista e simplesmente avisou: vamos partir para outra.

Só que neste domingo, dia da abertura do Mundial, é o Rubens velho de guerra o queridinho do torcedor brasileiro. Massa, um mero coadjuvante. Talvez porque seja mais jovem, passe a impressão de que mais dia, menos dia, sua hora vai chegar. Para Barrichello, não. Esta é a última chance, a oportunidade derradeira de se redimir e conseguir aquilo que sempre perseguiu sem sucesso em seu próprio país: o reconhecimento.

Pode ser também porque o torcedor brasileiro (e, em alguma escala, o de outros países, também) costuma sempre se virar para onde o vento está soprando. Agora, é na direção dessa surpreendente Brawn GP. Não importa se ao volante estiver um simulacro de guerreiro vigoroso e destemido, ou um ex-espinafrado que já comeu o pão que o diabo amassou. O cara tem chances de ganhar? Vamos nessa, é a vitória de nosso Brasil varonil. E se perder? Ah, problema dele, não temos nada a ver com isso.

São só teorias de mesa de bar para que se tente entender a “velha nova” paixão brasileira na F1. Elas podem estar todas furadas, também. Há quem acredite que é remorso, mesmo. "




23 comentários:

Eduardo P.L disse...

Peri,

Estou fora! Acho muito chato assistir, conversar, ler e ouvir sobre F1.

(;-(

expressodalinha disse...

Mais gasolina deitada à rua. E o buraco do ozono a aumentar... (hoje deu-me uma de politicamente correcto)

Selena Sartorelo disse...

Olá Edú...

Eu adoro falar de F1...não entendo nada...mas lembro na época do Senna eu não perdia uma corrida, como também assistia todas os campeonatos da NBA, mas tenho uma ótima razão... há quinze tinhámos o Senna e no basquete New York Knicks e o Chicago Bulls com Michael Jordam, ou talvez gostasse tanto pois era recem casada e meu marido adora todos os esportes possíveis, mas calma ele adora cinema também e uma boa música, mas o futebol é ainda meu rival, pois odeio futebol.
Mas essa introdução toda é para dizer que tenho que admitir que o Rubinho Barrichelo me diverte bastante... pois nada dando certo prá ele, o cara ainda consegue sempre estar lá..vá ter sorte assim na conchinchina!!!!AH esse é meu momento de revolta Barrichelo..mas pensem bem é muito Um Rubinho, um Lula, Um Maguila, Marchesi, Faustão, etc, etc tudo no mesmo país. Assim não tem coração que aguente.rsrsr

beijos,

Selena Sartorelo disse...

...E tem eu que estou mais para Vicenti Matheus..que confundi Marchesi com Tranchesi..VIXI!!!!!

peri s.c. disse...

Eduardo
Um carro de F1 é um outro viés da criatividade humana, abusando de seus limites. Um fino trabalho de criação tecnológica.
Depois põe uns despirocados para vestir aquelas máquinas e arriscar o pescoço à 350 por hora com a bunda a 5 cm do chão.

Na verdade a maioria dos espectadores só fica realmente feliz quando um se estampa no muro.
É o Coliseu ambulante e globalizado de nossos tempos.
Daí a excelência do texto do FG, que esbarra no comportamento humano.

peri s.c. disse...

Jorge
Uma gota d'água no oceano da emissão de gases agressivos.

peri s.c. disse...

Selena
Como disse Vicente Matheus : " quem sai na chuva é prá se queimar ".
Pois é, estamos sempre molhados e nos queimando.

bjs

jayme disse...

Peri, torço pro Rubinho, mas sempre com uma pontinha de dúvida. Afinal, se ele ganhar o campeonato, acaba o personagem. Se bem que o segundo lugar hoje parece uma retomada da antiga escalada.

peri s.c. disse...

Jayme
Pela manutenção do personagem, que ele chegue sempre em segundo.
Mas não merece essa sina. É um sobrevivente.
( Uma sobrevivência invejável com milhões de U$$ no bolso )

Patty Diphusa disse...

Estou na maior tentativa de torcer pro Barrichello. Mas ainda não aderi. Acho que não perdôo o ser tão obediente deixando o Schumacher passar na frente. Arre.
Mas gostei da análise do Flávio.

Bjs

GUGA ALAYON disse...

Sou barrichelo desde pequenino...

Marcio Gaspar disse...

arena de leões na roma antiga, lutas de boxe, touradas, corridas de F1... desvios éticos do comportamento humano que, um dia espero, irão todos juntos pra mesma lata de lixo da história.

peri s.c. disse...

Patty
Schumacher : U$$ 40 milhôes/ano
Rubinho : U$$ 7 milhões/ano.
Adivinha quem mandava na equipe?
Deixou passar porque foi "lembrado" por rádio do teor de seu contrato contrato, na penúltima volta.
O Flávio é um puta jornalista, sem papas na cabeça nem na língua.
bjs

peri s.c. disse...

Guga
ele é meio tonto, mas é muito bom.

peri s.c. disse...

Marcio
F1 é feita por um bando de loucos, mas em ambiente fechado, com ambulâncias e bombeiros de prontidão.
Pior são "rachas' nas ruas e estradas, motoristas semi-habilitados a mais de 70 por hora, motoristas habilitados a mais de 100 por hora, motoqueiros cheios de empáfia "costurando" no trânsito.
Aliás o Tom Jobim dizia que qualquer motorista a mais de 60/h era um perfeito imbecil.

Patty Diphusa disse...

Peri, eu nunca vou esquecer da corrida que a minissaia (é isso que chama aquele treco na frente do carro, não?) do Villeneuve pai escapou e ficou na frente do carro dele. Ele continuou correndo apesar da bandeirada preta pra sair da pista. Se não me engano ganhou a corrida ou chegou entre os primeiros mas foi desclassificado. A alegação pra não ter saído da pista? eu não vi a bandeira.
Faltou só o rádio do Barrichelo falhar justo naquela hora que mandavam ele recuar. Eles falham, não?
Não foi à toa também que o Villeneuve se arrebentou naquele treino e virou história.

Bjs

peri s.c. disse...

Patty
Villeneuve foi o penúltimo romântico. E o Piquet o último.
O romantismo acabou quando o dinheiro engrossou.
Portanto é muito romantismo de nossa parte esperar uma molecagem do Rubinho naquelas horas ( foram duas as provas que Ele teve que abrir a porta ).
Já do Villeneuve e do Piquet eu esperaria.
E se ainda existisse o espírito esportivo nessas provas, o Schumacher também diminuiria a velocidade e ficaria em segundo...
bjs

Patty Diphusa disse...

É, acho que sou uma romântica incurável.

Bjs

peri s.c. disse...

Patty
Quase todos somos, ficamos putos com aquela história.
Se fosse possível, cobriríamos várias vezes de porradas aquele alemão metido. Que era o melhor, não precisava desses expedientes e nunca foi flor que se cheirasse.

Ery Roberto Correa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ery Roberto Correa disse...

Peri, o Flávio Gomes é hoje o melhor comentarista da F1.

Eu continuo com a minha velha intransigência com aqueles que dizem não ser a F1 um esporte. Não somente é um esporte (e emocionante), como na atualidade bem melhor que o próprio futebol, principalmente aquele comandado(?) por um tal de Dunga.

À seleção dele, meu caro, falta um "difusor".

Citei seu post hoje, por correlato. Abração.

peri s.c. disse...

Ery
E faz tempo que ele é o melhor. Leia seu blog , muito divertido.

Digamos que F1 já foi mais esportiva, hoje é um esporte meio esquisito onde o carro tem uns 80% de importância no resultado ( dá prá pensar isso no tênis ? imaginar que tem a melhor raquete tá com a partida 805 ganha? ). Ponto para os engenheiros.

Dunga como técnico é a pá de cal que faltava no enterro de nosso ex-alegre e glorioso futebol ( ex-respeitado até nas derrotas )

Obrigado pela citação ! Seu blog ficou super-organizado depois da reforma !
abraço

peri s.c. disse...

correção : ...." tem a melhor raquete tá com a partida 80% ganha? )"