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19.1.09

Mergulhando superficialmente nas raízes do Brasil - 1 .


O texto da sentença :


" O Alferes Vitoriano Veloso, único mulato entre o grupo dos Inconfidentes, era morador do arraial do Bichinho, que pertencia, na época, a Vila de São José del Rei. Foi notável sua presteza em levar a mensagem de Francisco Antônio de Oliveira Lopes sobre a prisão de Joaquim José da Silva Xavier e Joaquim Silvério dos Reis ao Tenente Coronel Francisco de Paula Freire de Andrada e aos inconfidentes que, por acaso, encontrasse.

Conforme levantamento feito pelo pesquisador Tarquínio de Oliveira, o inconfidente percorreu 240 quilômetros em três dias e duas noites entre Prados e Vila Rica. Foi inquirido oito vezes seguidas em curtos intervalos. Com seus depoimentos ficavam esclarecidos os últimos dias do movimento. No segundo depoimento é que os inquisidores percebem a rapidez com que fez o trajeto citado. Foi inquirido pela sétima vez em 22 de janeiro de 1790. “Aí, foi “esquecido” na cadeia até que fosse remetido ao Rio de Janeiro um ano depois, 22 de janeiro de 1791, para “dormir” mais alguns meses ( um ano e três meses) na prisão e esperar a sentença. Levou para o cárcere apenas um livro de orações – “Horas Mariana”.( Márcio Jardim).

Sua pena foi o degredo perpétuo para Moçambique, depois reduzida para 10 anos. No dia 16 de maio de 1792, cumpriu sua pena adicional - açoitamento e três voltas em redor da forca. O motivo de tal pena era por Vitoriano ser mulato. Embarcou no dia 22 de maio com destino a Moçambique, no navio Nossa Senhora da Conceição – Princesa de Portugal. Foram seus companheiros de viagem: Tomás Antônio Gonzaga, Vicente Vieira da Mota, José Aires Gomes, João da Costa Rodrigues, Antônio de Oliveira Lopes e Salvador Carvalho do Amaral Gurgel.

Em sua homenagem o antigo distrito da cidade de Prados, conhecido como Bichinho, hoje se chama Vitoriano Veloso. "


O texto da sentença está reproduzido numa placa, fixada num bloco em granito, bem atrás da cruz, na praça da Igreja Nossa Senhora da Penha, em plena Estrada Real .

Na região, até hoje, a vila é chamada de Bichinho, mesmo . O povo não leva muito à sério esse negócio de homenagens e de heróis da liberdade .


photos by P.S.C. Historical Touristic Views



12 comentários:

Eduardo P.L disse...

ahh, agora entendi!
Tenho um amigo que diz: " Quem gosta de raizes é minhoca"...
Se procurar muito vai entender que com essas raizes a árvore não poderia ter dado outros frutos....

Forte abraço e bom retorno. Você faz falta aqui no Armazém!

peri s.c. disse...

Eduardo
Fui dar um rápido "bordejo" em Tiradentes.
Abraço.
e ainda bem que faço falta, ah, ah.

expressodalinha disse...

E ainda dizem que a justiça é lenta hoje em dia. Por falar nisso, o conceito de justiça é muito relativo, não é?

Anônimo disse...

Peri!!!

será que você andou por Prados, Tiradentes, São João del-Rei, e - como se não bastasse - ainda perambulou pelo Bichinho, aquele espanto?
São minhas raizes, pô!!! É minha região!

Beijo surpreso

Vivina.

peri s.c. disse...

Jorge
Naquela época a justiça andava à cavalo, sobre precárias estradas " de chão ", sujeita às variações meteorológicas.
Hoje continua, no mesmo passo, à cavalo, mas sobre asfalto.
E continua relativa, apesar da modernização, não mais se degreda, açoita, enforca ou esquarteja, na acepção dos termos. São feitas coisas parecidas, porém de maneira mais sutil.

peri s.c. disse...

Vivina
Só faltou Prados.
S. João del-Rei, em rápida passagem, 2 dias em Tiradentes, e um reconhecimento de Bichinho, via Estrada Real.
Fui rever as paragens que conheci recém-formado, no século passado. Para mim, tudo muito inspirador.
beijo

Marcio Gaspar disse...

minas? não é aquele estado em que acontecem as coisas mais estranhas? bode de duas cabeças, bebê-diabo, ET de varginha? político-aspirador-de-pó-e-encantador-de-mocinhas?

peri s.c. disse...

Marcio
Sim , Minas, um estado com uma enorme quantidade de mineiros de todos os sexos, impressionante.
Geograficamente falando continua com montinhos, montes e montanhas, um sobe-desce infindável.
Pão-de-queijo excelente ( até no aeroporto ), rocambole de doce-de-leite maravilhoso ( de Lagoa Dourada ), uma cachacinha de Salinas perfeita, acompanhando vários ótimos chopp-escuros de lá, Becker, recomendo.

Não vi nada especificamente muito estranho.
Examinei cuidadosamente as calçadas do Palácio da Liberdade, estavam cheias de pó. Do comum, escuro. O que não quer dizer nada, políticos não flanam pelas ruas.


NR : Bebê-diabo apareceu foi aqui em SP, se não me engano em Guaianases, naquela imortal criação do trepidante e extinto jornal Notícias Populares.

jugioli disse...

Sempre bom ler esses relatos históricos e pertecentes a memória popular.

bjs.

Ju

peri s.c. disse...

Ju
farei mais alguns

bjs

Anônimo disse...

Péri:
Você tem razão.O Bebê-Diabo é de São Paulo.Foi feita uma adaptação de Adhemar Guerra para o Teleteatro da TV Cultura baseada no Notícias Populares.Chamava-se "Baby Devil",com Renato Borghi.
Fui o cenógrafo.
Quanto ao povo,"Vox populi,vox Dei",êles tem razão.Como é que à época,após percorrer 240 Km em 3 dias,dar 3 voltas ao redor da fôrca sendo açoitado, se enfrenta uma cabaceira grande?
Só se for um "Xupa-Cabra"!

Abraços
Günther.

peri s.c. disse...

Günther
Bons tempos da TV Cultura , hem ...
Suponho que não foi o Borghi que interpretou o "baby devil".

A única maneira do povo levar a sério e epopéia do Vitoriano, seria ter sua história contada na Barão de Sapucai via um grandioso enredo carnavalesco, de preferência pela Mangueira, com patrocínio da STB ( Secretaria de Turismo de Bichinho ).Fico imaginando como seria o carro-alegórico final, representando a libidinosa Cabaceira Grande.
Poderíamos ter, conforme sua sugestão, para delírio do carnavalesco de plantão, a ala dos "Xupa-Cabras", que coreografados, poderiam atacar os milhares de bicões que se aboletam na pista de desfile.

abraços