Essas cidadezinhas medievais foco dos livros do post anterior, poderiam ser vistas hoje como nossos atuais condomínios fechados. Mas mesmo sendo um pouco antigas, tem uma série enorme de atraentes diferenciais. Ninguém sabe ao certo quando as imobiliárias e construtoras da época fizeram seus lançamentos e construções. Nem se montaram uma casa decorada para animar possíveis compradores.
Sem registros em cartórios, averbações, ou pergaminhos de materiais promocionais que tenham sido preservados e indiquem as datas precisas, suas origens remontam ao período de 2 a 5 séculos AC. E tem lindos e condizentes nomes originais, não aquelas criações fakes de nossos marqueteiros .
Sem registros em cartórios, averbações, ou pergaminhos de materiais promocionais que tenham sido preservados e indiquem as datas precisas, suas origens remontam ao período de 2 a 5 séculos AC. E tem lindos e condizentes nomes originais, não aquelas criações fakes de nossos marqueteiros .
Nelas encontramos sólidas casas, erguidas em pedras cuidadosamente assentadas. Numa inusitada implantação para nossos padrões, seus terrenos e vias são cuidadosamente irregulares. Essa aparente desordem espacial propicia surpreendentes e encantadoras perspectivas
As ladeiras e seus percursos tortuosos eliminam a necessidade de qualquer tipo de academia de ginástica, esteiras para exercícios, personal trainers. Uma saídinha de casa se transforma num aeróbica caminhada queimando incontáveis calorias.
A infraestrutura é invejável. Pequenos e excelentes restaurantes, com pratos típicos da região, acompanhados pelos melhores vinhos. Os cardápios variam conforme os produtos da estação com ingredientes sempre fresquíssimos, preparação cuidadosa e quase caseira. Os cafés feitos com os grãos mais selecionados do mundo e os doces, inesquecíveis. Apesar dos excessos gastronômicos , enológicos e fumagíferos, seus nativos tem, estranhamente, uma longa existência. Naturalmente festeiros, realizam diversas comemorações coletivas anuais . No fim do dia, todos saem a rua para a uma relaxante passegiatta, onde a confraternização com a vizinhança é geral.
Surgem nos mais inesperados locais igrejas que convidam os religiosos à oração ou os ímpios à meditação.
As obras de arte estão espalhadas por todos os cantos, dentro e fora das edificações. Não são vistas pichações, outdoors, cartazes . Carros, lá fora das muralhas.
As ladeiras e seus percursos tortuosos eliminam a necessidade de qualquer tipo de academia de ginástica, esteiras para exercícios, personal trainers. Uma saídinha de casa se transforma num aeróbica caminhada queimando incontáveis calorias.
A infraestrutura é invejável. Pequenos e excelentes restaurantes, com pratos típicos da região, acompanhados pelos melhores vinhos. Os cardápios variam conforme os produtos da estação com ingredientes sempre fresquíssimos, preparação cuidadosa e quase caseira. Os cafés feitos com os grãos mais selecionados do mundo e os doces, inesquecíveis. Apesar dos excessos gastronômicos , enológicos e fumagíferos, seus nativos tem, estranhamente, uma longa existência. Naturalmente festeiros, realizam diversas comemorações coletivas anuais . No fim do dia, todos saem a rua para a uma relaxante passegiatta, onde a confraternização com a vizinhança é geral.
Surgem nos mais inesperados locais igrejas que convidam os religiosos à oração ou os ímpios à meditação.
As obras de arte estão espalhadas por todos os cantos, dentro e fora das edificações. Não são vistas pichações, outdoors, cartazes . Carros, lá fora das muralhas.
A vida é intensa, e até o seu fim é um acontecimento solidário, os falecidos ganham um anúncio fixado defronte as portas das muralhas, passagem obrigatória para todos .
Mas um pequeno e fundamental detalhe acaba com a aparente semelhança : essas pequenas cidades medievais, ainda hoje cheias de uma enorme qualidade de vida, desenvolveram-se no cume das elevações e dentro de altas e grossas muralhas para abrigo e defesa da comunidade aos constantes ataques das comunidades vizinhas, dos bárbaros do norte, dos lombardos, dos francos, dos exércitos papais, e etc. Mas eram ataques anunciados, nuvens de poeira eram levantadas pela marcha dos exércitos guiados por estandartes coloridos e pelo rufar cadenciado de tambores, prenunciando o apocalipse que se aproximava.
Hoje, as pessoas tentam se esconder nestes estéreis e pretensiosos simulacros de cidades medievais chamados condomínios fechados, esquecendo que o inimigo não se anuncia e não vem com hora marcada. Não notam que talvez sejam os visigodos aqueles que tomam conta da portaria, consertam o telhado, entregam a pizza.
Hoje, as pessoas tentam se esconder nestes estéreis e pretensiosos simulacros de cidades medievais chamados condomínios fechados, esquecendo que o inimigo não se anuncia e não vem com hora marcada. Não notam que talvez sejam os visigodos aqueles que tomam conta da portaria, consertam o telhado, entregam a pizza.
( as fotos, exceto a primeira, já que não havia verba para aluguel de helicóptero, são todas da Peri S.C. Fine Arts, um stúdio que sofre de vertigens e portanto tem os pés sòlidamente no chão )
31 comentários:
Peri, são os visigodos, podem ser chefiados por Átila, o dos Hunos. O Boka tem origens ilustres.
Logo os condomínios contarão além das câmeras, cercas elétricas e "gorilas de terno preto" com head set, também um fosso cheio de crocodilos, tudo para manter a patuléia o mais distante possível.
Quando eu digo que é a barbárie, ainda me criticam. Vai entender?
Peri, nunca por aqui embora ache o espaço legal e q conhecidos de outras bandas. Então, qdo me deparei com texto assim exatamente sobre os lugares que visitei recentemente (cheguei na semana passada!), não resisti. A Toscana é o máximo, vinhos e vinhedos mil: vale do Chianti, Greve, Radha; depois Montalcino, Montepuciano, enfim... verdes em pequeno relevo, das oliveiras e vinhedos, misturados com um amarelo gritantemente cor de palha (pode?) cor da terra, das pedras, dos castelos, da ruínas romanas e etruscas. E San Gimignano, Volterra, Pienza, no meio do caminho... Estamos embriagados até hoje. Euro, um rombo no bolso! Vinhos: alegria à alma, puro saborear do bem-estar! E, pensando bem, + baratos do q os bons daqui! Bjs.
Ah, etruscos (muito dos Gregos), romanos, lombardos e hordas e hordas de gente de toda a parte daquele então pequeno mundo: palimpsesto.
Legal a coincidência: estamos lendo tudo a respeito do período entre a queda dos Romanos ao ano 1.000. BJS.
Valter, barbárie sempre, a antiga mais cinematográfica.
Sibila, a Itália é o máximo, a Toscana um dos máximos do máximo.
Belo roteiro, fora do circuito principal, nem todos se aventuram por estes paisinos que você esteve.
Brunello em Montalcino ou foi apenas ( apenas ? ) um Rosso em Montalcino ? Fui ainda nas liras, quase na virada para o euro, ainda era possível pelo menos uma refeição decente por dia, no almoço pizza a tagglio ou sandubas, com aqueles milhares de embutidos impossíveis de escolher o melhor.Ai, ai, saudades.
bj
Condomínios?
Devassá-los!
Boczon,
pulverizá-los !
( exceto os medievais legítimos )
Peri, sem maiores provocações, Brunello. Aiiii, que bom!!!! Ô delícia!!! Bjs.
Peri, fotos preciosas e texto preciso.
Muito boa abordagem.
Sibila, provocação nada, também entrei alegremente nessa, pelo menos para dizer que um dia degustamos uma destas preciosidades. Fomos à Montalcino, mas compramos o dito, mais barato, na Umbria, em Spello, acho que foram uns R$40,00 ( em liras, hoje mais caro). Um mês depois, aqui em SP, encontramos um da mesmíssima marca e ano, no Pão de Açucar : R$180,00. Só salivamos.
Estávamos em 4 e encerrávamos os trabalhos do dia com um último spresso, até que descobrimos que o preço dos 4 spressos era exatamente o preço de um bom Chianti ...
adivinha.
Eduardo,
Obrigado.
Análise não-acadêmica e superficial de urbanizações ancestrais versus as modernas, a partir de visões turísticas e intenso registro fotográfico.
Um bom prato, me diverti.
Eduardo, não é uma maravilha este mural, quase um varal de anúncios fúnebres ?
estou cada vez mais fã da peri.s.c. fine arts!!
essa viagem...emagreci só de olhar!!
ops...reserve meu elektra! E obviamente, quando aterrissar, um impala vermelho e branco, ok?
Ana,
1. Seu aval para a P.S.C. Fine Arts nos honra e é um incentivo para continuar os clicks por aí.
( viu lá no Varal de Idéias 2 fotos de varais que mandei para o Eduardo ? )
2. Para a Itália,o voo será num Super-Constellation e depois, um minúsculo Fiat Cinqueccento anos 60 estará aguardando nossos VITs. além de cult, mais adequado à largura da ruas medievais.
O Cinqueccento será alvo de um próximo post, já que a Fiat o está relançando ( hoje acho ) com uma modesta festa para 250.000 pessoas.
Condomínios?
De vassalos!
Boczon
Vassalos sempre.
Se acham, em suas Pajeros e utensílios semelhantes.
A humanidade é como os cachorros mordendo o próprio rabo, não vai para a frente.
( exceto nós, claro, sempre para a frente e para o alto )
Peri, seu varal é ótimo, e não concordo com os anúncios funebres!
São RELATOS! Observações e fatos!
Eduardo,
concordo, considerá-los meros anúncios é uma redução indevida de sua importância.
Pela dimensão, sem dúvida um relato.
E exaltando só as boas qualidades do novo morador celestial.
Sibila, vc some trinta dias e quando volta fala que esteve em peregrinação enófila e gastronômica pelo interior da Itália?
Imperdoável, viu?
Morramos, mocréias !
Um beijo, menina
Peri,
Boa analogia e bom texto, que me deixou saudades de Itália. A Toscana, então, é de cortar a respiração de tanta beleza. Mas por cá (Portugal) também temos algumas destas preciosidades. Óbidos, por exemplo. E Monsaraz, Marvão, Sortelha, Monsanto, e tantas outras maravilhas medievais, quase todas nas mãos de estrangeiros, hoje.
Abraço
Ana
Ah, esqueci-me de dizer que conheço Frances Mayes, trocamos e-mails e espero a sua visita quando vier a Portugal (não fui ainda visitá-la em Cortona, mas hei-de ir). Confirmo que o livro é muito bom (fizeram um filme a partir dele, com o mesmo nome), e Frances é também a directora artística (para a parte literária) de um festival fantástico que fazem por lá no Verão - de música, gastronomia, literatura e outras coisas.
Ana
av
benvinada, obrigado pela presença.
Saudades da Itália, sempre, e Portugal preciso conhecer. Suas indicações já forma devidamente anotadas.
Creio que os americanos e ingleses já compraram quase tudo de antigo e belo que existia disponível no eixo Portugal, Espanha e Itália. Uma pena. Espero que respeitam as culturas locais.
Quanto à Frances, deve ser uma pessoa muito interessante. Aguardo em seu blog o relato de sua futura visita a Cortona.
Peri,
Ah a Toscana, onde se fala o melhor italiano, onde o idioma de Dante é mais bem tratado. Já disse outro dia que tenho um amigo morando em Lucca. Invejo o distinto com todas as minhas forças. Uma das coisas que talvez me arrancasse definitivamente da depressão sem fim que me acometeu, seria poder morar em uma dessas cidadezinhas medievais. Ter um studio para poder escrever sossegado, comer bem, viver. O Brasil e São Paulo, em especial, estão acabando comigo aos poucos.
Grande abraço
Lord,
poderíamos ser vizinhos por lá. Juro que só iria chateá-lo quando nos encontrássemos na passegiatta diária, fora, os óbvios convites para as visitas às cidadezinhas vizinhas e
tranquilas refeições.
O Patropi está acabando com nós todos.
muito bom. Belo guia comentado.
abç
Guga
Grazie mille.
Fácil escrever sobre ótimas lembranças.
impressionante que não hajam pichações.
vi uma cena, muito brasileira em barcelona. na parte medieval da cidade, tinha um comerciante escovando uma parede tentando limpar uma pichação.
acho que se pichador fosse pego corria sério risco de ser linchado, tal a cara do catalão.
anna
Anna, a falta de pichação é um sinal de, ainda, alguma civilização.
Peri,
já q vc deixa esse post assim perene e ao mesmo tempo solto no ar, a nos dar água na boca, mais umas letrinhas.
Entre Assis e Perúgia, o vale do Spoletto (se ñ me engano a localização e a maneira de escrever). Como vc foi pra lá: não é mesmo q olhavam-se intactas retinas medievais o tempo todo? Tivemos essa nítida sensação ao olhar de uma a outra cidade e vice-versa. E diz q os peruginos eram os mais valentões da época (dominaram até Siena por um tempo). Os chianti.. pra não ficar tão caro, nas minúsculas cidades do Vale, compravamos a garrafa e bebíamos em um cantinho qqr da vila sempre agraciados com maravilhosas vistas.
Já em Sampa: vc q manja, tô enganada ou os v. italianos estragam no traslado - abrimos uns chianti e... meia-boca. Daqui, melhor os chilenos?
Bacci.
Sibila,
o tamanho atual das cidades diz alguma coisa sobre o quão valentões eram. Por ex. Firenze e Siena disputaram palmo a palmo a primazia da Toscana. Firenze ganhou a guerra e cresceu. Siena estacionou . Visível quando se examina a Catedral de Siena, poucos reparam mas ela parou na metade, era para ter o dobro do tamanho. O tamanho dos palácios e das catedrais dizia muito do poderio da comunidade na época.Perúgia cresceu. Assisi está um pouco fora desta análise por ser um centro de peregrinação. Mas é a que tem as casas mais bonitas, principalmente pela cor das pedras da região.
Quanto às retinas , eles tem um "ar" meio estranho mesmo e mantém várias festas medievais levadas muito à sério.Vide o Pálio de Siena.
Os vinhos : sofrem demais no transporte. Tenho um cliente grande importador de vinhos para quem projetei um sofisticado centro de distribuição, outro dia presenciei a abertura do primeiro container de vinhos que lá foi descarregado. Dentro do container, apesar da proteção térmica, é um verdadeiro forno. A agressão é completada pelos balanços da viagem, em caminhões e navios. As massas, azeites e enlatados chegam íntegros, mas os vinhos ....
necessario verificar:)
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