#Header1 { display:none; } #header-wrapper { display:none; }

18.7.07

Sapato, uns três números menor


Talvez a primeira foto aérea, 1936, do Aeroporto de Congonhas, ali na beira da moderníssima ( pavimentada em concreto ) estrada de Santo Amaro , que era um município independente de São Paulo até 1935. Para os que reclamam de tudo, ela foi paga com a implantação de pedágios.
A capital tinha então assombrosos 1 milhão de habitantes. Mas o primeiro aeródromo foi o Campo de Marte , às margens do Tietê, inaugurado em 1920. Naquela época, de minúsculos aviões usados mais para práticas esportivas, qualquer cantinho servia para pousos e decolagens, portanto os pilotos mais exóticos faziam seus aeroportos praticamente nos quintais de suas casas : existiam aeroportos, pasmem, na esquina das atuais ruas Estados Unidos com Pamplona, outro na rua do Grito ( Ipiranga ), outro em Indianópolis, o de Edu Chaves, em sua fazenda na zona norte. Tempos românticos.

Mas a cidade foi crescendo e o tráfego aéreo foi crescendo atrás. Em 1946 (!) já se discutia a questão de sua substituição por outro aeroporto. Tentaram com Viracopos nos anos 60 e em 1985 foi inaugurado o de Guarulhos. Mas Congonhas resistiu.

E vejam que maravilha seu projeto original, como tantos, não executado.



Impossível deixar de anotar o pensamento imediato quando se olha esse projeto : se com duas pistas já temos tanta confusão, imaginem com 8....

Enfim , Congonhas hoje está engolfado pela cidade, situação precária que só é lembrada e discutida nos momentos em que estes pavorosos acidentes acontecem.
Ah, mas essa preocupação e torpor passam logo, num instantinho são esquecidos. The show must go on. Gostaria muito de presenciar o debate e principalmente a reação de determinados setores que vivem nas asas das pontes-aéreas SP - Rio - Brasília, ante uma improvável e efetiva decisão de mudá-lo de local.

Os aviões cresceram, carregam mais passageiros e cargas, ficaram muito mais sofisticados e tem hoje velocidades de pouso mais altas. Já tivemos até o enorme Boeing 767 operando por lá. Achei na época muito divertido subir e descer com aquele monstro naquela pista, hoje me dá calafrios só de pensar.
Os técnicos dizem e a imprensa agora publica, que
falta em Congonhas uma coisa importantíssima : áreas de escape, para permitir em emergências, alternativas para os pilotos diminuirem a velocidade e pararem, mesmo que com danos ao avião.
Na Fórmula 1, onde 24 malucos arriscam por livre e espontânea vontade seus preciosos pescocinhos 16,17 ou 18 vezes por ano, vemos a cada temporada exigências de modificações nos autódromos que visam a segurança. E a principal destas modificações ocorrem exatamente nas áreas de escape de cada curva. Além das dimensões que sempre aumentam, modificam o tipo de piso, já foi grama, passou pela brita, hoje é asfalto e lá no fim, aquela montanha de pneus para amortecer o choque final. Será que aeroportos com 500, 600 aterrissagens/decolagens dia, 5 ( correção posterior 18 ! ) milhões de passageiros/ano não mereceriam essa preocupação? Fórmulas 1 andam a 350km/h, aviões pousam a uns 200/250 km/h, só que os primeiros pesam 700 kg ( menos que nossos carros) os segundos, peso de pouso, 60 ton despencando no chão.
A beleza, funcionalidade,conforto e estacionamento dos terminais são importantes, mas para que serve tudo isso se a operação não é, na verdade, perfeitamente segura ?


Nota 1 : A maioria das informações as ilustrações deste post foi retirada de um ótimo
site sobre Congonhas, aparentemente sua home-page oficial, com excelente e completíssimo texto e material fotográfico, com informações muito detalhadas, ótima parte histórica, urbanística e arquitetônica. Recomendo aos interessados a visita.
Nota 2 : O Blogger, ou um dos computadores daqui, hoje está uma merda. Este post tem duas fotos. Se elas não forem carregadas, por favor avisem o Peri S.C. SAC

11 comentários:

Sibila disse...

Estamos todos arrasados. Acho seu texto muito lúcido, as áreas de escape são imprescindíveis para um aeroporto que recebe diariamente em tamanho e quantidade os aviões que recebe. Mas tenho a impressão que a única saída seria a desapropriação, num raio relativamente grande, de imóveis. Parece solução melhor do que o fechamento porque Congonhas é substacialmente importante para o dinamismo econômico da cidade de SP. Beijos condolentes.
Gostei, mas gostei mto de ver essas fotos antigas da região. Vou procurar o site.

Sibila disse...

Ah, Peri, vc tem informação de como são as instalações, em termos de áreas de escape, do London City?
Bj.

peri s.c. disse...

Sibila
Não sei sinceramente quão importante é ter um aeroporto dentro da cidade.
Dinamismo? Rapidez ? Pense : na verdade prá que? No fundo, quem ganha com essa espiral alucinada em que vivemos ? Que diferença faz uma reunião ser hoje ou amanhã ?
Aliás quantas reuniões são efetivamente necessárias ?

Confortável é para quem está num raio de uns 10 km dele. Por ex. para mim tanto faz: Congonhas e Guarulhos estão rigorosamente à mesma distância, dependendo do horário e das condições do trânsito, prefiro Guarulhos, para onde inclusive existem alternativas de trajeto. Um dos grandes problemas de ser longe é o custo do transporte, dependendo do trajeto, com o valor que você é literalmente furtado de taxi até Guarulhos, você aluga um carro por dois dias.

Nenhum urbanista, hoje se fosse projetar uma cidade, colocaria um aeroporto em sua malha urbana, por mais seguro que fosse.

peri s.c. disse...

Desconheço. Estas áreas de escape estão sendo implantadas em aeroportos americanos.

Sibila disse...

É, Peri, não sei se é tão "substancialmente" importante para a cidade. Depois de escrever aquilo aqui (coisa que ouvi alhures), fiquei matutando e achando q talvez seja uma idéia errada mesmo. Afinal, serve a interesses de quem cara-pálida? Dizem: do comércio, dos taxistas, dos executivos q terão de fechar negócios, à velocidade q esse jeito maluco preponderante de se "arrumar" o mundo diz necessário, de até editores, sei lá eu. Verdade? Prá mim Guarulhos fica longe. E daí? Não temos trem-bala, mas o bumba de lá pra cá é bom, por ele voltamos qdo viemos da Itália. Problema nenhum. Mas coisa de cidadã q tem grana (ñ muita!), alíás tão somente de cidadã pq todos deviam ter condições pra pagar o tal do bus, seja ele pq + barato, sejam eles pq ganhando +. Esse um dos problemas cruciais.

peri s.c. disse...

Sibila, Guarulhos tem uma vantagem, principalmente quando da volta do exterior, e particularmente da doce Itália, você tem um tempinho a mais prá se acostumar com a idéia que voltou.
Congonhas te joga imediatamente na dura realidade da vida, em plena da Av. Rubem Berta congestionada.

Eduardo P.L. disse...

Peri, vc colocou de forma justa e eficiênte essa história de Congonhas. Tenho dito por aí que ele AEROPORTO chegou antes da cidade. A cidade é que envolveu-o. A culpa foi não terem resolvido o trem-bala e outros ( muitos) aeroportos no interior do país. Ficou TUDO dependendo do velho e APERTADO Congonhas... Vc esta certo.
Não sabia da pista da Estados Unidos e Pamplona. Morei num aeroporto sem saber!!!!Honduras, alí do lado.

peri s.c. disse...

Eduardo
Mega-cidades são autofágicas, crescem desordenadamente e criam estes absurdos.
E como planejamento urbano, como tantas outras coisas neste país, é uma abstração, inclusive porque quando os profissionais da área querem praticá-lo, acabam dando de cara com os poderosíssimos e incontornáveis interesses da indústria imobiliária.

Poderia ter sido muito pior do que foi, se o avião tivesse conseguido voar mais um pouco e se esborrachado num dos edifícios que cercam este lado da cabeceira da pista.

anamoraes disse...

SAC - Prezado Sr. Gerente da Peri S.C. Comunicações, as "duas" fotos não apareceram...devo ir ao Procon, ou aguardar mais uns dias?

peri s.c. disse...

Prezada cliente, Srta. Ana
Estas fotos aparecem ou não aparecem, conforme a hora e o computador.
Esquisito. Não sei se o Procon tem um setor de mistérios. Ou se tem braços tão longos que atinjam o estrangeiro Blogger.

anamoraes disse...

hehe....., morrerei tentando! Ei de ver essa tal segunda foto misteriosa..tsc..tsc